Casa. Qual a definição que temos para "casa"?


"Casa é aquele lugar onde os móveis lhe reconhecem", diz o Veríssimo. Mas vale o contrário, também; quando olhamos para um detalhe de algum lugar e ele deixa de ser um mero detalhe, passa a ser lembrança. Pois uma casa é uma extensão de você, do que você pensa, do que você sente.
Mesa? Deixa de ser um móvel. Pode ser um velho amigo de momentos inesquecíveis, bons ou ruins; ou companheiro de vários momentos da mais singela irrelevância, como só os bons amigos são.


Em casa temos portas, passagem para outros ambientes, cada um com seu clima e espírito; passamos por elas para ficarmos no canto onde nos sentimos melhor de acordo com o momento: frio, calor, escuridão, claridade, alegria, tristeza, arrebatamento, reflexão.

Temos janelas, e nos vidros podemos ver o reflexo do nosso rosto, mais ou menos conhecido, dependendo de como o dia nos tratou; podemos olhar para fora, e ver como está lá fora, ou quem está lá dentro, o que fica, o que passa. Imagens vêm e vão por elas. Algumas nunca mais vão.


Em uma casa pode haver um canto de fé; nele existem santos, retratos ou objetos, não importa; eles estão ali, reunidos, para trazer algum conforto ou esperança, no alcance de um olhar. Um lugar para esquecer da vida ou pensar intensamente nela; para solucionar problemas sob lágrimas ou para arrumar outros em chuva de risadas. Onde convivem os problemas e as soluções, seu pequeno altar de intensidades.


Temos a decoração, também; aqueles montes respingos de alma que a gente vai pendurando na parede. Quadros, retratos, vale tudo para trocar o vazio do reboco por alguma coisa que fale um pouco sobre que mora ali. É como dizer "sou assim", mas sem precisar gastar palavras.


Cultura também é importante. Trazemos palavras novas para dentro de casa e das nossas vidas, através da leitura...

...e reservamos um canto para a música, pois vida tem de ter trilha sonora.


Em casa temos aqueles que nos olham com a profundidade dos atentos.

Temos pilares que nos sustentam.

Mas a vida segue. Como uma espiral, dando voltas, sempre retornando, mas nunca no mesmo lugar de antes. Geralmente evoluindo, apesar de discordarmos às vezes do destino, esse velho sádico. E uma nova casa se faz necessária.
Que a despedida seja em grande estilo, então. Hora de chamar os que cuidam da casa.


Convocamos os amigos para a festa, aqueles que vêm de vez em quando, ou que cruzam as portas sempre que as mesmas estão abertas.



Conversas e sorrisos passam sob o olhar das luzes que tantos momentos iluminaram.





Quem é da casa aguarda a hora dela se encher com as músicas que ali fizeram uma vida.





Dos locais mais gelados saem os aditivos que irão esquentar a noite.


E a casa é preenchida pelo que sempre foi a sua alma: a música. Luzes dançam no ritmo junto com as pessoas da casa, que cantam de olhos fechados mas enxergando como nunca. Cores, ritmos, suor e transe. A festa começou.








Um espelho reflete o que sustenta a casa, fisicamente ou não.

Maestros regem a dança dos sentimentos que preenchem o local junto com a fumaça dos cigarros.


A noite corre rápida. Alguns precisam deixar a festa antes.

E as horas seguem. E o sol dá a senha que a última das noites começa a acabar.



Hora de começar a esvaziar a casa, pela última vez.


Hora de reparar nos detalhes que vão deixar saudade.

Hora de parar e pensar em tudo que ali se passou, e imaginar o que ainda virá.

Mas ainda podemos deixar o sol como convidado, olhando de fora, e ter os últimos momentos na casa com as pessoas que dão alma à ela.




Hora de gravar na retina dos olhos momentos que nunca mais esqueceremos, e que as lágrimas não vão conseguir lavar.




Hora de quem construiu a casa olhar de cima tudo que ali se passa, em últimos flashes, e lembrar de todos os momentos que ali aconteceram, e saber que tudo valeu a pena.

Mas uma hora, tudo acaba. Hora de sair pela porta, pela última vez, e ser recebido pelo sol que lá fora nos espera. E indica que o futuro, na próxima casa, tem tudo para ser luminoso como a última manhã que acabou de surgir.

Saímos da casa pela última vez. Mas ela nunca mais sairá de dentro de nós.
Vox da Ébano Pereira. A segunda casa de muita gente. Para sempre.


"Casa é aquele lugar onde os móveis lhe reconhecem", diz o Veríssimo. Mas vale o contrário, também; quando olhamos para um detalhe de algum lugar e ele deixa de ser um mero detalhe, passa a ser lembrança. Pois uma casa é uma extensão de você, do que você pensa, do que você sente.
Mesa? Deixa de ser um móvel. Pode ser um velho amigo de momentos inesquecíveis, bons ou ruins; ou companheiro de vários momentos da mais singela irrelevância, como só os bons amigos são.


Em casa temos portas, passagem para outros ambientes, cada um com seu clima e espírito; passamos por elas para ficarmos no canto onde nos sentimos melhor de acordo com o momento: frio, calor, escuridão, claridade, alegria, tristeza, arrebatamento, reflexão.

Temos janelas, e nos vidros podemos ver o reflexo do nosso rosto, mais ou menos conhecido, dependendo de como o dia nos tratou; podemos olhar para fora, e ver como está lá fora, ou quem está lá dentro, o que fica, o que passa. Imagens vêm e vão por elas. Algumas nunca mais vão.


Em uma casa pode haver um canto de fé; nele existem santos, retratos ou objetos, não importa; eles estão ali, reunidos, para trazer algum conforto ou esperança, no alcance de um olhar. Um lugar para esquecer da vida ou pensar intensamente nela; para solucionar problemas sob lágrimas ou para arrumar outros em chuva de risadas. Onde convivem os problemas e as soluções, seu pequeno altar de intensidades.


Temos a decoração, também; aqueles montes respingos de alma que a gente vai pendurando na parede. Quadros, retratos, vale tudo para trocar o vazio do reboco por alguma coisa que fale um pouco sobre que mora ali. É como dizer "sou assim", mas sem precisar gastar palavras.


Cultura também é importante. Trazemos palavras novas para dentro de casa e das nossas vidas, através da leitura...

...e reservamos um canto para a música, pois vida tem de ter trilha sonora.


Em casa temos aqueles que nos olham com a profundidade dos atentos.

Temos pilares que nos sustentam.

Mas a vida segue. Como uma espiral, dando voltas, sempre retornando, mas nunca no mesmo lugar de antes. Geralmente evoluindo, apesar de discordarmos às vezes do destino, esse velho sádico. E uma nova casa se faz necessária.
Que a despedida seja em grande estilo, então. Hora de chamar os que cuidam da casa.


Convocamos os amigos para a festa, aqueles que vêm de vez em quando, ou que cruzam as portas sempre que as mesmas estão abertas.



Conversas e sorrisos passam sob o olhar das luzes que tantos momentos iluminaram.





Quem é da casa aguarda a hora dela se encher com as músicas que ali fizeram uma vida.





Dos locais mais gelados saem os aditivos que irão esquentar a noite.


E a casa é preenchida pelo que sempre foi a sua alma: a música. Luzes dançam no ritmo junto com as pessoas da casa, que cantam de olhos fechados mas enxergando como nunca. Cores, ritmos, suor e transe. A festa começou.








Um espelho reflete o que sustenta a casa, fisicamente ou não.

Maestros regem a dança dos sentimentos que preenchem o local junto com a fumaça dos cigarros.


A noite corre rápida. Alguns precisam deixar a festa antes.

E as horas seguem. E o sol dá a senha que a última das noites começa a acabar.



Hora de começar a esvaziar a casa, pela última vez.


Hora de reparar nos detalhes que vão deixar saudade.

Hora de parar e pensar em tudo que ali se passou, e imaginar o que ainda virá.

Mas ainda podemos deixar o sol como convidado, olhando de fora, e ter os últimos momentos na casa com as pessoas que dão alma à ela.




Hora de gravar na retina dos olhos momentos que nunca mais esqueceremos, e que as lágrimas não vão conseguir lavar.




Hora de quem construiu a casa olhar de cima tudo que ali se passa, em últimos flashes, e lembrar de todos os momentos que ali aconteceram, e saber que tudo valeu a pena.

Mas uma hora, tudo acaba. Hora de sair pela porta, pela última vez, e ser recebido pelo sol que lá fora nos espera. E indica que o futuro, na próxima casa, tem tudo para ser luminoso como a última manhã que acabou de surgir.

Saímos da casa pela última vez. Mas ela nunca mais sairá de dentro de nós.
Vox da Ébano Pereira. A segunda casa de muita gente. Para sempre.
Vox populi, vox dei